segunda-feira, 23 de março de 2020

não amo o corpo de ninguém
sem que lhe ame os gestos,
as virtudes e defeitos,
os sorrisos e trejeitos.

não amo o corpo de ninguém
sem interesses que são seus,
que não seja de verdade
em força e fragilidade.

confunde-me quem me quer
e me olha com interesse
confunde-me os sentimentos
abala-me os pensamentos.

entre mimos e caprichos
não distingo com clareza
tomo um banho de vaidade
dou por certa a incerteza.

não te minto no sentir
julgava que te queria,
se amava por ser amada
no momento não sabia.




domingo, 22 de março de 2020

aquela pedra sem polir
quis guardá-la para mim,
limpei-lhe a terra que trazia
e cuidei dela assim.

tinha laivos de granito,
um tom escuro cativante,
aos meus olhos tinha brilho
e o valor de um diamante.

certo dia, de repente,
parecia mais pesada,
eu não queria abrir mão,
mas acabei por deixá-la.

penso em como estará,
se ficou no chão quebrada.
jamais quis abandoná-la,
serei um dia perdoada?

há pedras que vem e ficam,
há pedras que vem e vão.
as que tenho, vou estimá-las,
as que foram ainda cá estão.







sábado, 29 de fevereiro de 2020

agora eu sei

não sou só flores e mar,
sou cimento e betão,
nem a doce brisa ao luar,
sou terramoto e furacão.

nem tudo é vida,
nem tudo é morte,
nem tudo é certo,
nem tudo é sorte.

agora eu sei
e estou perdida,
completamente à deriva
ante os opostos da vida.

mas há verdade na mentira,
há beleza na tempestade
e quando a tormenta termina
sempre traz serenidade.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Que hei-de fazer à saudade
crescente e sem piedade
à qual me devo acostumar?

Que hei-de fazer ao tempo
que segue tão indiferente
sem pressa, nem vagar?

16.02.2020
Escrevo em silêncio
O que a minha voz cala,
Talvez por medo ou cobardia
É a caneta quem fala.

08.03.2018

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A vida tem tantas vidas dentro
Que escritas seriam contos
Num livro de histórias vividas,
Contadas tal como sentidas.

Em tempos escrevi
Com vazio e emoção
Palavras que ganham pó.
Hoje, leio e não me vejo.
Sinto-as numa outra vida
Preenchidas de memórias vãs
Onde não me encontro como sou.

  


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Sinto-me Pessoa no meio da gente
Consciente, tão consciente
Oh maldita dor de pensar!

Fosse eu rebanho,
Fosse eu corrente,
E a vida seria como quem mente,
Sorriso rasgado em cara inocente.

Noites de sono,
Dias de engano.